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Alta nas commodities faz país ter melhor cenário para comércio externo em 3 anos
Por: Jornal Estadão
Postado em: 07/03/2017 as 15:56:31

Na relação dos termos de troca, os preços das exportações do País cresceram acima dos preços das importações. As vendas externas foram puxadas, principalmente, pelo aumento do minério de ferro, cuja cotação mais que dobrou num ano. Em janeiro, o índice de termos de troca ficou em 117,3, número mensal que não era atingido desde janeiro de 2014 (ver gráfico).

Essa melhora deve ter um reflexo direto na balança comercial. Nas projeções da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), as exportações brasileiras devem atingir este ano US$ 197 bilhões, o melhor resultado também desde 2014, quando alcançaram US$ 225 bilhões. Boa parte disso virá exatamente das commodities, cujas vendas externas devem crescer 15,8%, depois de uma queda de 9,2% no ano passado. Segundo o presidente da AEB, José Augusto de Castro, os produtos básicos terão uma participação de 61,3% nas exportações este ano. No ano passado, essa fatia foi de 57,8%.

Em fevereiro, essa recuperação da balança comercial já se apresentou: as exportações cresceram 22,4% em relação ao mesmo mês de 2016, chegando a US$ 15,4 bilhões. 

Impacto. André Mitidieri, economista da Funcex, afirma que a melhora nos termos de troca começou em meados do ano passado e deve se manter neste ano, mesmo com a valorização do real frente ao dólar. No segundo semestre de 2016, o índice médio do preço das exportações aumentou 11,4% em relação à primeira metade do ano, enquanto o índice médio das importações subiu apenas 1,2%.

Em janeiro, o índice das exportações aumentou 19,6% em relação a igual mês de 2016, e o das importações caiu 1%. Além de melhorar o comércio internacional, “quando os termos de troca são mais favoráveis, o País tem ganho maior de renda, gerando impacto em vários setores, por exemplo, nas vendas de máquinas agrícolas, insumos e fertilizantes”, afirma Mitidieri.

A recuperação dos preços médios das commodities, após cinco anos de queda, é um importante reforço para a retomada da economia brasileira. Para analistas, um movimento sustentado de alta vai puxar as exportações e a produção interna de produtos básicos, evitando assim que o Produto Interno Bruto (PIB) do País tenha nova contração.

“A melhora na relação de troca pode contribuir não apenas para o início do próximo ciclo de crescimento econômico, mas também para torná-lo mais sustentável”, afirma Fabio Silveira, sócio diretor da MacroSector Consultores.

Marco Caruso, economista do Banco Pine, reforça que a maior renda obtida nas exportações vai se traduzir em investimentos no País, ajudando assim no crescimento econômico. “A entrada de dólares vai continuar, pois o que o País vende está mais valorizado do que o que compra de fora.”

Reforço. No primeiro bimestre, o preço médio das commodities registrou alta de 36% em relação ao mesmo intervalo de 2016, conforme índice adotado pelo Itaú Unibanco, composto pelos preços, em dólares, de 22 produtos negociados nas bolsas internacionais que são relevantes para o Brasil.

Analistas ressaltam, porém, que os dois primeiros meses do ano passado registraram o pior desempenho para o período em 11 anos. Para o ano, a projeção do Itaú é de alta de 12%. 

“As commodities subiram bastante desde as mínimas em fevereiro de 2016 e agora, no começo de 2017, avançaram, principalmente o minério de ferro”, diz Artur Passos, economista do Itaú Unibanco.

O economista e ex-presidente do BNDES Luiz Carlos Mendonça de Barros aposta em novo ciclo de expansão das commodities, pois, além da China, a Europa voltou a crescer, assim como os EUA. Mas, segundo ele, o crescimento não será igual ao que ocorreu entre 2011 e 2015. “Naquela época, a China crescia 15% ao ano e agora cresce 7%.”

Na opinião de Rafael Ohmachi, analista da Guide Investimentos, são exatamente as commodities ligadas à atividade econômica, como as metálicas (minério, cobre e níquel) e energia (petróleo e gás), que deverão contribuir mais neste ano para a recuperação do PIB.

No caso das mercadorias agrícolas, porém, os preços devem cair, diz Ohmachi, em razão do aumento das safras no Brasil e em outros países, “porque não estão previstos os fenômenos El Niño e La Niña, que nos últimos dois anos quebraram várias safras e limitaram a oferta de produtos”.




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