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Porto do Rio Grande projeta quebra de recorde
Por: Jornal do Comercio
Postado em: 14/11/2016 as 13:00:29

O diretor técnico do porto do Rio Grande, Darci Tartari, explica que a projeção deve-se ao bom desempenho do agronegócio. "Essa cadeia é uma ilha que se sobressai dentro da crise", enfatiza o dirigente. Tartari complementa que os principais itens transportados pelo porto são ligados a esse setor, como a soja e seus derivados, fertilizantes, trigo, entre outros. O diretor comenta ainda que a celulose, depois da ampliação da capacidade de produção da planta da CMPC Celulose Riograndense, em Guaíba, também vem crescendo em importância por causa da exportação do produto, que deve chegar neste ano a cerca de 1 milhão de toneladas.

 

Uma iniciativa que deve favorecer o escoamento desse material é a modernização de 1.125 metros do cais público, que conta com recursos do governo federal na ordem de R$ 97 milhões. Iniciada em 2014, a medida ampliará o pátio de manobras e melhorará as condições de atracação dos navios, agilizando os embarques e desembarques. Até o momento, o porto está utilizando, em fase de testes, 375 metros da nova estrutura e a previsão é de término dos trabalhos em meados de 2017.

 

Tartari participou ontem do lançamento da publicação FEE Setorial, analisando o segmento de celulose de mercado. O evento teve também com a presença do presidente da CMPC Celulose Riograndense, Walter Lídio Nunes. Sobre o aproveitamento do modal aquaviário, o empresário destacou que, além do escoamento da celulose pela hidrovia gaúcha, até chegar a Rio Grande, a companhia também traz do porto de Pelotas parte da madeira que utiliza como matéria-prima na unidade da Região Metropolitana. A operação pela estrutura pelotense começou em outubro e até o final do ano deverá atingir a capacidade plena de movimentação (cerca de 1,2 milhão de toneladas de tora de madeira por ano).


CMPC aguarda por fim da restrição da compra de terras por estrangeiros

Durante a palestra na Fundação de Economia e Estatística (FEE), o presidente da CMPC Celulose Riograndense, Walter Lídio Nunes, manifestou seu descontentamento com parecer da Advocacia-Geral da União (AGU) que limita a aquisição de terras brasileiras por empreendedores estrangeiros (a controladora da CMPC Celulose Riograndense é chilena). O empresário salienta que essa postura é um obstáculo à expansão do setor de celulose no Brasil (por causa da dificuldade para se conseguir áreas para o plantio de florestas) e recorda que a finlandesa Stora Enso pretendia construir uma planta de celulose na Fronteira Oeste gaúcha e acabou desistindo.

 

Assim como a Stora Enso, a Votorantim Celulose e Papel (VCP) também almejava implementar uma fábrica no Estado, porém a unidade seria instalada em Rio Grande ou Arroio Grande, mas, por fatores distintos, a ideia não prosseguiu. Quando fez menção a esse projeto na sua apresentação, Nunes deixou escapar que sonha em "ver se esse empreendimento ainda acontece", transparecendo que a CMPC, caso tenha condições jurídicas e de mercado, poderia abrir um novo complexo produtivo no Rio Grande do Sul. O executivo espera que o parecer da AGU seja revisto e salienta que vários segmentos do agronegócio, além do setor de celulose, ficam impedidos de crescer através investimentos que poderiam vir do exterior. "A gente sabe que o Brasil não tem poupança interna para bancar seu autodesenvolvimento", frisa Nunes. O presidente da CMPC estima que uma nova fábrica, com capacidade para produzir cerca de 2 milhões de toneladas ao ano de celulose, significaria, em investimentos florestais e na própria unidade industrial, um aporte de aproximadamente R$ 10 bilhões.

 

Conforme Nunes, o Brasil verifica em torno de 7,8 milhões de hectares em florestas plantadas, o que não representa 1% da área total do País. A produção nacional de celulose é de cerca de 17,4 milhões de toneladas anuais (sendo 9,4 milhões de toneladas destinadas para exportações), sendo a quarta maior do planeta, atrás somente dos Estados Unidos, China e Canadá.




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